Urubu, leão, galo, raposa. A lista de mascotes dos times brasileiros é longa e diversificada. Grande parte dos clubes escolheu animais como símbolo. Outros preferiram símbolos fora da fauna. Alguns deixaram a criatividade de lado e adotaram símbolos já utilizados.
As mascotes nasceram nos palcos. No século XIX, a opereta francesa 'Le Mascotte' deu origem ao termo. Não demorou muito para o símbolo ser adotado nos esportes. Nos Estados Unidos, inicialmente foram acolhidas por times de beisebol e futebol americano. Depois, espalharam-se pelo mundo.
No começo, eram consideradas amuletos. Ganharam, contudo, mais importância. As mascotes tornaram-se parte da cultura. Com o tempo, viraram ícones. Estão presentes em grande parte dos artigos vendidos pelos clubes. Transformaram-se em fonte de renda.

Por que os clubes de futebol brasileiros têm mascotes?
Reconhecimento, preconceito e identificação. Esses foram os motivos principais da criação das mascotes dos times brasileiros.
Elas começaram a ser criadas por cartunistas de jornais no começo do século passado. Eram uma forma de apresentar um clube diante dos leitores. Os leitores reconheciam o time rapidamente pelas imagens.
Caíram no gosto do povo e aumentaram a rivalidade entre os clubes. Adversários aproveitavam-se de estereótipos preconceituosos para tentar atingir o inimigo. O Urubu, mascote do Flamengo, e o Porco, do Palmeiras, apareceram dessa forma.
A popularização das mascotes fez com que os próprios dirigentes dos clubes adotassem o amuleto. Alguns escolhiam de acordo com a cultura dos torcedores. Outros faziam uma opção aleatória e esperavam que a mascote caísse no gosto dos fãs.
A História do Urubu no Flamengo
O Urubu não foi a primeira mascote do Flamengo. Nos anos 40, um personagem de desenho animado foi adotado para representar o clube. O marinheiro Popeye virou a mascote flamenguista. Não perdurou.
Os torcedores elitistas foram determinantes para a mudança, aproximadamente 30 anos depois. Rivais começaram a chamar os flamenguistas de urubus. A tentativa era de ofender e desqualificar os fãs. O rubro-negro contava com grande parte de sua torcida formada por negros e pobres.
A adoção do urubu tem data de nascimento. Foi em 1º de junho de 1969. Às vésperas de um clássico contra o Botafogo, um grupo de torcedores resolveu dar uma resposta aos adversários. Foram até um lixão e capturaram um urubu.
O animal foi solto no Maracanã antes do jogo. O Flamengo, que passava por um momento de turbulência com resultados ruins, venceu a partida. Marcou 2 a 1. A vitória selou o destino do urubu como símbolo do rubro-negro.
Palmeiras e o Porco: Do Insulto ao Orgulho
Time da colônia italiana no Brasil, o Palmeiras nasceu como Palestra Itália. Criado em 1914, três anos depois, ganhou o periquito como símbolo. Uma alusão ao seu uniforme verde.
Em 1942, os italianos passaram a ser visto como inimigos. O Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial do lado dos Aliados. O governo pressionou clubes de origem estrangeira a mudar seus nomes. Assim, o Palestra Itália virou Palmeiras.
O apelido de porco, contudo, não foi dado devido à origem italiana do Verdão. Ele nasceu de uma desavença com o Corinthians em 1969. Em acidente de trânsito, o alvinegro teve dois jogadores mortos. Pediu à Federação Paulista de Futebol que dois novos atletas fossem inscritos no Paulistão.
Isso exigia a mudança do regulamento. Para isso, todos os clubes tinham que aprovar a alteração. O Palmeiras disse não. Então, passou a ser chamado de Porco pelos corintianos e outros rivais.
O insulto virou orgulho a partir do final dos anos 80. Os palmeirenses começaram a gritar ''dá-lhe, porco'' nas arquibancadas. Os cartolas, todavia, estavam reticentes. Só em 2016 o porco passou a ser adotado como mascote oficial, ao lado do periquito.

A Raposa do Cruzeiro: A Raposa de Belo Horizonte
Símbolo do Cruzeiro, a Raposa é uma mascote que tem assinatura. Foi criada por Fernando Pierucceti, apelidado de Mangabeira. O cartunista, que morreu em 2004, foi democrático. Também desenhou as mascotes de Atlético (Galo) e América-MG (Coelho), entre outros times mineiros. Para a seleção brasileira, escolheu o canário.
Em 1945, Mangabeira tomou como inspiração o cartola Mário Grosso, presidente do Cruzeiro entre 1942 e 1947. O dirigente era conhecido por ser astuto nas contratações de jogadores. Sua esperteza levou à escolha da Raposa. Animal que, conforme o imaginário popular, tem essa característica.
O mascote foi preservado, embora tenha passado por mudanças. A mais recente delas foi em 2003, quando a Raposa ganhou um visual mais agressivo e um filhote, o Raposinho.
Atlético Mineiro e o Famoso Galo
Em 1945, quando escolheu a Raposa como símbolo do Cruzeiro, Mangabeira definiu a mascote do Atlético-MG. O cartunista optou por um galo nas cores do clube (preta e branca).
A opção foi fruto de eventos nos anos 30, quando o Atlético foi campeão mineiro por quatro vezes. No mesmo período, as rinhas de lutas de galo eram dominadas por um animal preto e branco. O casamento gerou o ícone atleticano.
A popularização da mascote não tardou. No ano seguinte, o volante Zé Monte acertou com o Atlético-MG. Capitão da equipe, entrava em campo carregando um galo. Foi o suficiente para a torcida começar a gritar 'Galo', algo que acontece até hoje.
O Galo ganhou várias versões. Em 2005, passou a ser desenhado como se fosse um super-herói. A nova imagem caiu nas graças da torcida, que passou a chamá-lo de Galo Doido.

Outros Famosos Mascotes dos Times Brasileiros
A inspiração para a criação de mascotes dos times brasileiros não parou nos animais. Parte dos clubes fugiu dessa tendência. O Vasco da Gama optou pelo Almirante. Símbolo mais condizente com o navegador português que deu nome ao clube.
"Os Três Mosqueteiros", do romancista francês Alexandre Dumas, virou inspiração em dose dupla. Deu origem às mascotes de Corinthians e Grêmio. A explicação é a mesma. O grupo, que, na verdade, tinha quatro mosqueteiros, simboliza o espírito guerreiro.
Em 2024, o Grêmio incluiu o Flecha Negra em sua galeria de mascotes. Foi uma homenagem a Tarcísio, que nos anos 70 e 80 do século passado, virou ídolo do clube. O Internacional escolheu o Saci-Pererê como mascote. Por muitos anos, o personagem do folclore brasileiro foi adotado apenas pela torcida. Em 2016, o Colorado o acolheu como mascote oficial.
Certamente não foi um zoólogo que escolheu a mascote do Santos. Por ser apelidado de Peixe, a escolha foi por uma baleia. No entanto, a baleia não é um peixe, mas um mamífero.
Por que os fãs adotam mascotes criados por rivais?
Assim como aconteceu com Palmeiras e Flamengo, o apelido de Peixe foi dado por adversários. Era uma forma jocosa de dizer que o time era fraco. Se no início era uma ofensa, a situação mudou.
Palmeirenses, flamenguistas e santistas seguiram o mesmo caminho. Ao abraçarem os símbolos, ainda que criados por rivais, transformaram a agressão em orgulho.
A importância Cultural das Mascotes no Futebol Brasileiro
A importância das mascotes dos times brasileiros foi crescendo ao longo do tempo. Se, no começo, serviam como uma forma simples de identificação, viraram marca registrada.
Agora, são presença quase obrigatória nos estádios. Os clubes criaram fantasias de suas mascotes que são vestidas e tentam animar a torcida. Os fãs que aderem ao símbolo criam cantos com seu nome.
Isso levou os mascotes às prateleiras. Enfeitando objetos, transformaram-se em mercadoria e parte da estratégia de marketing. O que era uma identificação emocional se revelou fonte de arrecadação.
Reflexões Finais sobre as Mascotes dos Times Brasileiros
As mascotes dos clubes brasileiros passaram a fazer parte da cultura do futebol. Seu processo de criação é um espelho da história, da rivalidade e da paixão pelo esporte. Atualmente, virou mais que um símbolo. Por vezes, aparece como sinônimo do clube.
FAQ — Perguntas Frequentes
Por que o Flamengo é associado ao urubu?
Os rubro-negros eram chamados de urubus por torcedores adversários. O que era uma ofensa racista virou símbolo oficial do clube.
Por que o Palmeiras é chamado de porco?
A negativa de ajudar o Corinthians após o alvinegro ter jogadores mortos em acidente gerou o apelido. Com o tempo, os palmeirenses aceitaram o animal como símbolo.
Qual é a mascote do Cruzeiro?
A Raposa é a mascote do Cruzeiro. Foi criada pelo cartunista Mangabeira. O animal simbolizou a esperteza de um dirigente do clube.
Por que o Atlético Mineiro é chamado de Galo?
O alvinegro virou Galo por conquistar títulos na mesma época em que um galo preto e branco dominava as rinhas.
Todos os times brasileiros têm mascotes?
Não, nem todos os times brasileiros têm mascotes. Porém, eles fazem parte dos símbolos dos principais clubes do país.
As informações históricas apresentadas refletem relatos amplamente aceitos sobre as origens dos mascotes na cultura do futebol brasileiro e permanecem relevantes independentemente da temporada ou dos resultados da competição.

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